Katechismus

5 Os mandamentos de Deus

Deus deu ao Homem mandamentos através dos quais Ele anuncia a Sua vontade para bem de todos os seres humanos.

5.1 Viver a fé segundo os mandamentos de Deus Voltar ao topo

A em Deus tem repercussões profundas em toda a vida do Homem. O crente anseia corresponder à vontade de Deus nos seus pensamentos e nos seus atos. Ele reconhece em Deus o autor de uma ordem justa.

Para que os homens se possam movimentar dentro dos limites dessa ordem, Deus, enquanto seu Criador, deu-lhes mandamentos. Os mandamentos expressam a vontade de Deus, em como deverá ser a relação com Ele. Além disso, são a base para um convívio saudável entre os homens.

Dado que o crente reconhece Deus como seu Senhor e confia nas providências divinas, por estar consciente da omnisciência de Deus, ele pergunta pela vontade de Deus e esforça-se por subordinar a sua própria vontade à vontade de Deus.

no tempo do Antigo Testamento, tanto os homens como as mulheres consentiam que os seus atos fossem determinados pela ; em Hebreus 11 são dados alguns exemplos disso. Estas testemunhas da também são exemplos a seguir pelos cristãos. Em Hebreus 12,1 está contida uma exortação para deixarmos o pecado «que tão de perto nos rodeia» e para percorrermos com coragem o caminho da , lutando contra o pecado.

O maior exemplo é Jesus Cristo, o autor e consumador da . Ele era uno com Seu Pai e sempre submeteu a Sua vontade à vontade de Deus (Lc 22,42). A Sua obediência incondicional, o cumprimento de tudo quanto o Pai Lhe tinha mandado, incentiva a seguir o Seu exemplo e exige uma conduta segundo o Seu exemplo: «Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor; do mesmo modo que eu tenho guardado os mandamentos de meu Pai, e permaneço no seu amor» (Jo 15,10). Assim sendo, Jesus Cristo é o autor da salvação eterna para todos aqueles que O seguem em obediência fiel (Heb 5,8.9).

Faz parte da do cristão, o reconhecimento de que a salvação é alcançada através da receção dos sacramentos. A receção destes atos salvíficos divinos e a expectativa da iminente revinda de Cristo fazem com que «renunciando à impiedade e às concupiscências mundanas, vivamos, neste presente século, sóbria, e justa, e piamente, aguardando a bem-aventurada esperança e o aparecimento da glória do grande Deus e nosso Senhor Jesus Cristo; o qual se deu a si mesmo por nós, para nos remir de toda a iniquidade, e purificar, para si, um povo seu, especial, zeloso de boas obras» (Tt 2,12-14).

"Viver neste presente século piamente" significa orientar os seus pensamentos e os seus atos segundo a vontade de Deus, a partir de uma confiança como a de uma criança, livre de qualquer beatice e hipocrisia. O fundamento de uma confiança infantil no Pai Celestial é o Seu amor para com o Homem. Através da sua obediência de , o Homem subordina-se à vontade divina.

Edificar a «obediência da » em nome de Jesus é uma função que cabe ao apostolado (Rm 1,5; 16,25.26). Quem praticar esta obediência, estará a orientar a sua vida segundo a doutrina de Cristo (Rm 6,17). Esta é a verdadeira vida na segundo os mandamentos de Deus. E é desta forma que o amor do Homem para com Deus se expressa.

SÍNTESE Voltar ao topo

Os mandamentos expressam a vontade de Deus de como deverá ser a relação com Ele. Além disso, são a base para um convívio saudável entre os homens. (5.1)

Com , o Homem aceita Deus como seu Senhor; confia n'Ele e anseia corresponder à vontade de Deus nos seus pensamentos e nos seus atos. (5.1)

A obediência incondicional de Jesus ao Seu Pai exorta ao seguimento e exige uma conduta correspondente ao Seu exemplo. (5.1)

5.2 Os mandamentos de Deus — uma expressão do Seu amor Voltar ao topo

Deus é amor (1Jo 4,16) e os Seus mandamentos são a expressão do Seu amor. A finalidade dos mandamentos consiste em ajudar aos homens, para que possam viver em conformidade com a vontade de Deus e com harmonia na sua interação social. Os mandamentos de Deus devem ensinar a alcançar um «amor de um coração puro, e de uma boa consciência e de uma não fingida» (1Tm 1,5).

Deus criou e abençoou o Homem. Ele ama-o desde o princípio. O Seu amor preservador também prevalece em relação à criatura caída no pecado. Toda a atuação salvífica de Deus é fundamentada no Seu amor. Foi por amor que Ele elegeu o povo de Israel (Dt 7,7.8). Através dos mandamentos, Ele a conhecer a Sua vontade a este povo, através do qual todos os povos hão-de ser abençoados, para os proteger, e oferece-lhes o Seu Filho Jesus Cristo, como expressão máxima do Seu amor para com o mundo (Jo 3,16).

O próprio Jesus Cristo também remete para o significado exuberante que Deus dera ao amor na legislação e na proclamação profética da antiga aliança. Quando Lhe perguntaram qual seria o «grande mandamento na lei» (Mt 22,36), Jesus respondeu com duas citações tiradas da lei mosaica: «Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento. Este é o primeiro e grande mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Destes dois mandamentos depende toda a lei e os profetas» (Mt 22,37-40).

Jesus Cristo é o fim da Antiga Aliança e o princípio da Nova Aliança. Na Nova Aliança, Deus deu ao Homem a possibilidade de se tornar Seu filho e de receber a Sua natureza divina intrínseca, o amor: «... o amor de Deus está derramado em nossos corações, pelo Espírito Santo que nos foi dado» (Rm 5,5). Este amor intrínseco a Deus ajuda a chegar ao reconhecimento de que o Seu amor se evidencia nos mandamentos de Deus. Isso faz com que os mandamentos não sejam cumpridos por receio de castigo, mas antes por amor ao Pai Celestial: «Nisto conhecemos que amamos os filhos de Deus, quando amamos a Deus e guardamos os seus mandamentos. Porque este é o amor de Deus, que guardemos os seus mandamentos; e os seus mandamentos não são pesados» (1Jo 5,2.3; cf. Jo 14,15.21.23).

5.2.1 O amor a Deus Voltar ao topo

O amor do Homem para com Deus e o seu próximo é fundamentado em Deus. O amor é a natureza do Criador e, como tal, é eterno: o amor divino existe antes de toda a criatura e nunca terminará. Todas as coisas são de Deus, por Deus e para Deus (Rm 11,36).

A partir do amor que Deus dedica ao Homem, nasce no crente a vontade de retribuir este amor (1Jo 4,19). Tal como a é a resposta do Homem à manifestação de Deus, assim o seu amor a Deus é a resposta ao amor que recebeu de Deus.

De Ben Sira 1,14* consta o seguinte: «O princípio da sabedoria é o temor do Senhor [no sentido de amor ao Senhor].» Quem ama Deus, anseia alcançar a comunhão com Ele. O facto de o amor de Deus estar «derramado em nossos corações, pelo Espírito Santo que nos foi dado» (Rm 5,5), é uma grande ajuda para a alcançar. Através da participação digna na Santa Ceia, o amor a Deus é fortalecido. Desta forma, esse amor pode crescer no regenerado e apoderar-se cada vez mais dele.

Quem ama Deus, procura o amor (1Cor 14,1). Amar a Deus é um mandamento que diz respeito ao Homem na sua plenitude e que exige uma dedicação total: «Amarás, pois, ao Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento» (Mc 12,30). O cumprimento deste mandamento conteúdo e sentido à vida.

O amor a Deus deve caracterizar a natureza do Homem e determinar o seu comportamento.

SÍNTESE Voltar ao topo

Os mandamentos de Deus são expressão do Seu amor. A sua finalidade consiste em ajudar os homens, para que possam viver em conformidade com a vontade de Deus e em harmonia na sua interação social. (5.2)

O reconhecimento do amor de Deus nos Seus mandamentos incentiva a cumprir os mandamentos não por medo de um castigo, mas antes por amor a Ele. (5.2)

* Bíblia da Difusora Bíblica. Edição e copyright, vide «Observações referentes à redação dos textos».

5.2.2 O amor ao próximo — o amor aos concidadãos Voltar ao topo

«... mas amarás o teu próximo, como a ti mesmo» (Lv 19,18). Segundo a lei mosaica, o "próximo" era, em primeiro lugar, aquele que pertencia ao povo de Israel; no princípio, o mandamento tinha validade nesse âmbito. No entanto, a sua aplicabilidade foi ampliada pelo apelo à proteção dos estrangeiros que viviam na terra dos israelitas (Lv 19,33.34).

O Filho de Deus juntou os mandamentos referidos em Levítico 19,18 e Deuteronómio 6,5, formando um duplo mandamento do amor (Mt 22,37-39).

No exemplo da parábola do bom samaritano (Lc 10,25-37) -se que Jesus aboliu a restrição do mandamento do amor ao próximo, que vigorava entre o povo de Israel. Por um lado, Ele mostrou que o próximo é todo aquele que necessita de ajuda, ficando em aberto se aqui se trata de um israelita ou de um gentio: «Descia um homem de Jerusalém ...». Por outro lado, o próximo é aquele que ajudana parábola referida um membro de um povo desprezado pelos israelitas, um samaritano. A mensagem é bem clara: no momento em que um Homem se dedica ao outro, ambos se tornam reciprocamente o seu próximo. Ou seja, o próximo pode ser qualquer Homem com o qual tenhamos contacto.

Pode-se deduzir daí que o âmbito de aplicabilidade dos dez mandamentos (Decálogo) tem de ser ampliado e que eles são válidos para todos os homens.

A maioria dos dez mandamentos refere-se ao próximo (Ex 20,12-17). Isso é sublinhado no diálogo com o mancebo rico, em que o Filho de Deus equipara o mandamento do amor ao próximo com outros mandamentos pertencentes ao Decálogo (Mt 19,18.19).

O apóstolo Paulo considera que as regras que se referem ao concidadão estão reunidas no mandamento do amor ao próximo (Rm 13,8-10). Este reconhecimento é baseado na palavra do Senhor quando diz que do duplo mandamento do amor «depende toda a lei e os profetas» (Mt 22,37-40). Esta afirmação também se encontra no sermão da montanha, no contexto da "regra de ouro": «Portanto, tudo o que vós quereis que os homens vos façam, fazei-lho também vós, porque esta é a lei e os profetas» (Mt 7,12).

Qualquer Homem pode ser o próximo do outro. A abrangência que Jesus coloca nas Suas palavras também fica bem clara no sermão da montanha, quando Ele exige que se ame até mesmo o inimigo.

O amor ao próximo motiva à prática do Bem em todas as pessoas, desde que necessitem de misericórdia, e mesmo que sejam inimigos (Mt 5,44). Um exemplo prático do amor ao próximo é o ato altruísta para bem de outros, especialmente daqueles que, por algum motivo, são desfavorecidos.

Os seguidores de Cristo não são apenas exortados a praticar o amor ao próximo em aspetos terrenos, mas também a remeter os homens para o Evangelho de Cristo. Este é o amor «por obra e em verdade» (1Jo 3,18). É neste contexto que também se enquadra a oração de intercessão pelos falecidos.

«Amarás o teu próximo como a ti mesmo» (Mt 22,39) — estas palavras de Jesus concedem ao Homem o direito de pensar em si mesmo; por outro lado, o Senhor também define limites claros para o egoísmo e exorta a que o amor esteja presente no trato com todos os concidadãos.

O amor ao próximo, praticado seja em que forma for, merece um elevado reconhecimento. Quanto mais esse amor for praticado, mais aflição será atenuada, mais harmonioso será o convívio entre todos. A doutrina de Jesus mostra que o amor ao próximo desabrochará em toda a sua plenitude se estiver associado ao amor a Deus.

5.2.3 O amor ao próximo — o amor na comunidade Voltar ao topo

O amor ao próximo deve evidenciar-se, acima de tudo, na comunidade: «Portanto, cada um de nós agrade ao seu próximo, no que é bom para edificação» (Rm 15,2). Jesus ensina: «Um novo mandamento vos dou: que vos ameis uns aos outros, como eu vos amei a vós, [...]. Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros» (Jo 13,34.35). Quer dizer, o amor recíproco entre os seguidores de Cristo é uma característica que identifica a comunidade do Senhor.

O padrão definido para esse seu amor ultrapassa a "regra de ouro" em Mateus 7,12: cada qual deve amar o outro como Cristo ama os Seus. Na primeira Igreja cristã, este amor ficou evidenciado no facto de se dizer que «era um o coração e a alma da multidão dos que criam» (Act 4,32). No entanto, as Igrejas eram constantemente exortadas a voltarem à conciliação, à paz e ao amor.

O texto bíblico da de João 4,7ss, estabelece uma correlação entre o mandamento do amor comunitário e o mandamento do amor a Deus. O apóstolo descreve a aparição do Deus que ama os homens no envio do Seu Filho e no sacrifício de Cristo, e daí tira a seguinte conclusão: «Amados, se Deus assim nos amou, também nos devemos amar uns aos outrosE prossegue nesse mesmo raciocínio: «Se alguém diz: Eu amo a Deus, e aborrece o seu irmão, é mentirosoTerminado com a conclusão: «E dele temos este mandamento: que quem ama a Deus, ame, também, o seu irmão

Desta forma, o amor a Deus também se evidencia na dedicação com amor ao irmão e à irmã na comunidade, independentemente da natureza ou da condição social dele ou dela. O apóstolo Tiago afirma que qualquer distinção ou parcialidade dentro da Igreja é inconciliável com «a do nosso Senhor Jesus Cristo, Senhor da glória». Qualquer que seja o sentido dos preconceitos existentes na comunidade, eles infringem sempre o mandamento do amor ao próximo. Tiago chega à seguinte conclusão: «... Mas, se fazeis distinção de pessoas, cometeis pecado» (Tg 2,1-9).

O "amar uns aos outros" protege da irreconciliabilidade, de preconceitos e da visão depreciadora dos diversos membros da comunidade. Se o mandamento do amor ao próximo implica dar assistência aos concidadãos, e ajuda em situações de emergência, muito mais isso se deve evidenciar dentro da Igreja: «... façamos bem a todos, mas principalmente aos domésticos da » (Gl 6,10).

O "amar uns aos outros" mutuamente é uma força especial que fortalece o espírito comunitário dentro da Igreja e traz calor à vida comunitária. Este conceito impede que os conflitos, que existem em qualquer tipo de convívio social, desaguem em desentendimentos de longa duração. Transmite a capacidade de aceitar o irmão e a irmã tal como são (Rm 15,7). Mesmo que as maneiras de ver, as formas de pensar e os hábitos comportamentais dos membros da comunidade sejam incompreensíveis para os outros, isso não vai levar à depreciação nem à marginalização deles, porque existe tolerância entre todos.

Além disso, esse amor também abre os olhos no sentido de ver que o outro também é um eleito de Deus, que faz parte daqueles que são "santos e amados". Este reconhecimento representa para todos uma tarefa: tratarmo-nos com sincera compaixão, amabilidade, humildade, mansidão e paciência. Se alguma vez existir motivo de queixa, procura-se o perdão com base na palavra: «... assim como Cristo vos perdoou, assim fazei vós, tambémE o apóstolo Paulo um conselho: «E, sobre tudo isto, revesti-vos de amor, que é o vínculo da perfeição» (Cl 3,12-14).

Cada comunidade local pode ser vista sob o prisma do corpo de Cristo; cada indivíduo que pertence à comunidade é um membro desse corpo. Desta forma, todos os membros da comunidade estão interligados e todos dependem da cabeça que têm em comum: Deus assim formou o corpo, para que tenham os membros igual cuidado uns dos outros. Cada qual serve para bem do conjunto de membros, tendo parte na vida do outro. A empatia no sofrimento e o desprendimento em relação às coisas boas que o outro tem são comportamentos naturais: «De maneira que, se um membro padece, todos os membros padecem com ele; e se um membro é honrado, todos os membros se regozijam com eleTodos devem estar bem cientes do seguinte: «Ora vós sois o corpo de Cristo, e seus membros em particular» (1Cor 12,26.27).

No capitulo 13 da primeira epístola aos Coríntios*, o apóstolo Paulo mostra à Igreja o caminho do amor; ele termina com as palavras: «Agora permanecem estas três coisas: a , a esperança e o amor; mas a maior de todas é o amorSe o amor for vivido na Igreja, as consequências são muito mais vastas do que todas as dádivas, capacidades, reconhecimentos e conhecimentos jamais o conseguiriam.

SÍNTESE Voltar ao topo

Segundo a lei mosaica, o "próximo" é, em primeiro lugar, aquele que pertence ao povo de Israel. Jesus vem abolir esta restrição, tal como se na parábola do bom samaritano: qualquer Homem pode ser o próximo do outro. (5.2.2)

No sermão da montanha, Jesus exige que até os inimigos sejam amados. (5.2.2)

O amor ao próximo impõe limites ao egoísmo. Incita à misericórdia para com todos. Os seguidores de Cristo não são apenas exortados a praticar o amor ao próximo em aspetos terrenos, mas também a remeter os homens para o Evangelho de Cristo. É neste contexto que também se enquadra a oração de intercessão pelos falecidos. (5.2.2)

O amor ao próximo desbrocha completamente através do amor a Deus. (5.2.2)

A medida para o amor dos seguidores de Cristo entre si ultrapassa a "regra de ouro" «Portanto, tudo o que vós quereis que os homens vos façam, fazei-lho também vós!»: cada qual deve amar o outro como Cristo ama os Seus. Este amor protege de irreconciliabilidade, preconceitos e visão depreciativa, porque aceita o irmão e a irmã tal como eles são. (5.2.3)

* Bíblia da Difusora Bíblica. Edição e copyright, vide «Observações referentes à redação dos textos».

5.3 Os Dez Mandamentos Voltar ao topo

Os dez mandamentos formam o núcleo da lei mosaica, os cinco livros de Moisés (Torá). Eles exprimem quais são os comportamentos que agradam e desagradam a Deus. Deles se podem deduzir indicações concretas sobre como o amor a Deus e ao próximo ordenado por Jesus Cristo se deve refletir na prática da vida humana.

Nos dez mandamentos é Deus quem se dirige a todos os homens e responsabiliza pessoalmente cada indivíduo pelo seu comportamento e pela sua conduta.

5.3.1 Termo "Mandamento" Voltar ao topo

A designação "Dez Mandamentos", ou "Decálogo", é derivada da formulação bíblica "dez verbos" ("deka logoi") em Êxodo 34,28 e Deuteronómio 10,4.

5.3.1.1 Contagem Voltar ao topo

A Bíblia determina o número dos mandamentos como sendo dez, mas sem os numerar. Daí resultaram formas de contagem divergentes. A contagem usual dentro da Igreja Nova Apostólica remonta a uma tradição do século IV d.C.

5.3.1.2 Os Dez Mandamentos no Antigo Testamento Voltar ao topo

Dentro da lei mosaica, os dez mandamentos têm um significado de destaque: são unicamente eles que Deus proclama ao povo de Israel, de forma audível, no monte Sinai (Dt 5,22), e eles são inscritos em tábuas de pedra (Ex 34,28).

A proclamação dos dez mandamentos faz parte da aliança que Deus fez com Israel. Desta forma, Ele renovou a aliança anteriormente feita com Abraão, Isaac e Jacob (Dt 5,2.3). De Deuteronómio 4,13 consta o seguinte: «Então vos anunciou ele [Deus] o seu concerto, que vos prescreveu, os dez mandamentos, e os escreveu em duas tábuas de pedra

O cumprimento dos mandamentos era uma obrigação dos israelitas ligada à aliança e era abençoado por Deus (Dt 7,7-16). as crianças do povo de Israel os aprendiam de cor (Dt 6,6-9). Até hoje, os dez mandamentos continuam a ter grande significado no judaísmo.

5.3.1.3 Os Dez Mandamentos no Novo Testamento Voltar ao topo

No Novo Testamento, os dez mandamentos são afirmados pelo Filho de Deus e através d'Ele também recebem um conteúdo mais profundo. Nas Suas afirmações, Jesus Cristo mostra que é Senhor sobre os mandamentos, até sobre toda a lei (Mt 12,8). A afirmação que fez perante o mancebo rico evidencia que a vida eterna pode ser alcançada se o Homem, para além de cumprir os mandamentos, seguir o exemplo de Cristo (Mt 19,16-22; Mc 10,17-21).

Jesus Cristo faculta uma nova visão da lei mosaica (vide 4.8)em parte, também dos dez mandamentos. O apóstolo Paulo resumiu o significado da lei mosaica segundo a interpretação do Antigo Testamento nesta fórmula: «porque pela lei vem o conhecimento do pecado» (Rm 3,20).

a transgressão de um único destes mandamentos faz o Homem tornar-se culpado de ter transgredido todos (Tg 2,10). Desse ponto de vista, todos os homens infringem a leitodo os homens são pecadores.

A lei permite reconhecer o pecado. A remissão de pecados cometidos é possível através do sacrifício de Cristo, o fundamento da Nova Aliança.

Os dez mandamentos continuam a ter validade na Nova Aliança; são vinculativos para todos os homens. A interpretação diferente dos dez mandamentos na Nova Aliança também tem o seu fundamento no facto de a lei de Deus agora não ser inscrita em tábuas de pedra, mas antes no coração, no interior do Homem, conforme profetizado em Jeremias 31,33.34. Com o cumprimento do mandamento do amor a Deus e ao próximo, também se cumpre a lei na sua plenitude (Rm 13,8-10).

5.3.1.4 Formulação Voltar ao topo

A redação atualmente corrente dos dez mandamentos não é congruente com o texto contido na Bíblia. -se a preferência a uma formulação simples, conservadora do sentido memorável.

Os dez mandamentos na redação comum da atualidade Voltar ao topo

1º mandamento

Eu sou o Senhor teu Deus. Não terás outro Deus além de mim.

2º mandamento

Não tomarás o nome do Senhor, teu Deus, em vão: porque o Senhor não terá por inocente ao que tomar o seu nome em vão.

3º mandamento

Santificarás o dia do Senhor.

4º mandamento

Honrarás pai e mãe para que se prolonguem os teus dias na terra.

5º mandamento

Não matarás.

6º mandamento

Não adulterarás.

7º mandamento

Não furtarás.

8º mandamento

Não levantarás falsos testemunhos.

9º mandamento

Não cobiçarás a casa do teu próximo.

10º mandamento

Não cobiçarás as coisas alheias.

Os dez mandamentos segundo Êxodo 20,2-17 Voltar ao topo

1º mandamento

Eu sou o Senhor, teu Deus, que te tirei da terra do Egipto, da casa da servidão. Não terás outros deuses diante de mim.

Não farás para ti imagem de escultura, nem alguma semelhança do que em cima nos céus, nem em baixo na terra, nem nas águas debaixo da terra. Não te encurvarás a elas, nem as servirás: porque Eu, o Senhor, teu Deus, sou Deus zeloso, que visito a maldade dos pais sobre os filhos, até à terceira e quarta geração daqueles que me aborrecem. E faço misericórdia, em milhares, aos que me amam e guardam os meus mandamentos.

2º mandamento

Não tomarás o nome do Senhor, teu Deus, em vão: porque o Senhor não terá por inocente ao que tomar o seu nome em vão.

3º mandamento

Lembra-te do dia do sábado, para o santificar.

Seis dias trabalharás, e farás toda a tua obra. Mas o sétimo dia é o sábado do Senhor, teu Deus: não farás nenhuma obra, nem tu, nem teu filho, nem tua filha, nem o teu servo, nem a tua serva, nem o teu animal, nem o teu estrangeiro, que está dentro das tuas portas.

Porque em seis dias fez o Senhor os céus e a terra, o mar e tudo o que neles , e ao sétimo dia descansou: portanto, abençoou o Senhor o dia do sábado, e o santificou.

4º mandamento

Honra a teu pai e a tua mãe, para que se prolonguem os teus dias na terra que o Senhor, teu Deus, te .

5º mandamento

Não matarás.

6º mandamento

Não adulterarás.

7º mandamento

Não furtarás.

8º mandamento

Não dirás falso testemunho contra o teu próximo.

9º mandamento

Não cobiçarás a casa do teu próximo.

10º mandamento

Não cobiçarás a mulher do teu próximo, nem o seu servo, nem a sua serva, nem o seu boi, nem o seu jumento, nem coisa alguma do teu próximo.

Os dez mandamentos segundo Deuteronómio 5,6-21 Voltar ao topo

1º mandamento

Eu sou o Senhor, teu Deus, que te tirei da terra do Egipto, da casa da servidão: não terás outros deuses diante de mim.

Não farás para ti imagem de escultura, nem semelhança alguma, do que em cima no céu, nem em baixo na terra, nem nas águas debaixo da terra: Não te encurvarás a elas, nem as servirás: porque Eu, o Senhor, teu Deus, sou Deus zeloso, que visito a maldade dos pais sobre os filhos, até à terceira e quarta geração daqueles que me aborrecem. E faço misericórdia, em milhares, aos que me amam e guardam os meus mandamentos.

2º mandamento

Não tomarás o nome do Senhor, teu Deus, em vão: porque o Senhor não terá por inocente ao que tomar o seu nome em vão.

3º mandamento

Guarda o dia de sábado, para o santificar, como te ordenou o Senhor, teu Deus.

Seis dias trabalharás, e farás toda a tua obra. Mas o sétimo dia é o sábado do Senhor, teu Deus: não farás nenhuma obra nele, nem tu, nem o teu filhonem a tua filha, nem o teu servo, nem a tua <