Katechismus

12 Serviço divino, atos de bênção e assistência pastoral

12.1 Serviço divino Voltar ao topo

O serviço divino é uma das formas de Deus atuar no Homem, sendo também uma forma das manifestações da obra do Homem dedicada a Deus.

12.1.1 Generalidades sobre o serviço divino Voltar ao topo

A comunidade reúne-se no serviço divino para ouvir a palavra de Deus e para ser abençoada pelo sacramento. O Homem pratica a adoração a Deus com temor e humildade.

Assim sendo, o serviço divino representa um encontro entre Deus e o Homem. No servir dos crentes em adoração e perante a presença percetível do Deus Trino, a comunidade vivencia como Deus a serve com amor.

12.1.2 O serviço divino no Antigo Testamento Voltar ao topo

O serviço divino veterotestamentário era fundamentado no encontro do Homem com Deus. As diversas formas de celebração dos serviços divinos foram-se desenvolvendo durante um longo período. Deus sempre se manifestou repetidamente ao Homem e ofereceu-lhe a Sua ajuda.

No jardim do Éden, Deus dirige a palavra aos primeiros homens. Após a queda do Homem, Ele não o abandona sem proteção; antes fala com ele e -lhe consolação e esperança numa salvação no futuro.

Em Génesis 8, fala-se do primeiro altar que os homens constroem para servir a Deus, para o venerar, para Lhe agradecer e para Lhe dar ofertas. Noé constrói um altar e a Deus uma oferenda de graças. E o Senhor responde a este gesto dando-lhe a promessa de que passaria a sustentar a criação.

Jacob consagra o local no qual Deus falara com ele e -lhe o nome de "Betel", o que significa "casa de Deus" (Gn 28,19).

Deus deu a Moisés, através das leis, regulamentações para a edificação de um altar: «em todo o lugar onde eu fizer celebrar a memória do meu nome, virei a ti e te abençoarei» (Ex 20,24ss). Além disso, também o lembrou de que Ele tinha santificado o sétimo dia e disse-lhe: «Lembra-te do dia do sábado, para o santificar» (Ex 20,8).

Durante a peregrinação dos israelitas pelo deserto, Deus escolheu de entre eles homens que pudessem servir de sacerdotes e assumir o serviço sacrificial. Foram incumbidos de transmitir ao povo a bênção de Deus numa determinada redação (Nm 6,22-27). Esta bênção reza assim: «O Senhor te abençoe e te guarde; O Senhor faça resplandecer o seu rosto sobre ti, e tenha misericórdia de ti; O Senhor sobre ti levante o seu rosto, e te a paz» (bênção sacerdotal).

Relativamente à época do rei David, relatos de que, no serviço divino, participavam cantores e músicos, que louvavam Deus com salmos (1Cr 25,6).

O rei Salomão mandou construir o templo de Jerusalém. Era nele que se realizava o serviço divino. Na época, consistia, essencialmente, da matança diária dos animais previstos para a oferta por parte dos sacerdotes. O serviço sacrificial passou, então, a ser prestado exclusivamente no templo. O templo também era o lugar no qual se celebravam as festas israelitas, como a festa de Páscoa ou a festa dos tabernáculos (Lv 23).

Do ponto de vista dos israelitas, depois da destruição do templo deixou de ser possível praticar o serviço sacrificial. No período conhecido por cativeiro babilónico, os crentes reuniam-se em casas construídas especificamente para esse fim, as sinagogas, para poderem orar, ler e interpretar as Escrituras Sagradas. É esta a origem da conceção cristã do serviço divino, tal como viria a ser praticado.

SÍNTESE Voltar ao topo

O serviço divino é uma das formas de Deus atuar no Homem, sendo também uma forma das manifestações da obra do Homem dedicada a Deus. (12.1)

O serviço divino veterotestamentário era fundamentado no encontro do Homem com Deus. As diversas formas de celebração dos serviços divinos foram-se desenvolvendo durante um longo período. (12.1.2)

Após a destruição do templo em Jerusalém, deixou de ser praticado o serviço sacrificial. No período do cativeiro babilónico, os crentes reuniam-se em sinagogas, para poderem orar, ler e interpretar as Escrituras Sagradas. É esta a origem da conceção cristã do serviço divino, tal como viria a ser praticado. (12.1.2)

12.1.3 O serviço divino no Novo Testamento Voltar ao topo

A encarnação de Deus em Jesus Cristo início a uma nova dimensão do serviço de Deus ao Homem. O Filho de Deus vem à Terra, ao mesmo tempo, enquanto verdadeiro Homem e verdadeiro Deus. Ele nasceu entre o povo dos judeus; Ele frequentava o templo, participava nos serviços divinos nas sinagogas e participava na sua conceção. Paralelamente a isso, atuava como mestre cuja prédica era «como tendo autoridade» (Mt 7,29). Além disso, Ele deu a missão de batizar e instituiu a Santa Ceia. Assim sendo, na palavra e nos atos de Jesus se encontra fundamentado aquilo que viria a caracterizar o serviço divino cristão: a palavra e o sacramento.

Os atos de Jesus, que, por conseguinte, representam um fator normativo para o serviço divino, alcançam o seu auge na Sua morte na cruz: Ele faz o sacrifício perfeito, o sacrifício que excede o serviço sacrificial da Antiga Aliança e o substitui (vide 3.4). Em cada celebração da Santa Ceia, o sacrifício de Cristo é consubstanciado.

Ainda antes da Sua morte sacrificial, Jesus Cristo prometeu aos Seus apóstolos que lhes enviaria o Espírito Santo que havia de dar continuidade aos ensinamentos de Cristo e preservaria o Seu Evangelho: «[...] ora, a palavra que ouvistes não é minha, mas do Pai que me enviou. Tenho-vos dito isto, estando convosco. Mas, aquele Consolador, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas, e vos fará lembrar de tudo quanto vos tenho dito» (Jo 14, 24-26).

O Espírito Santo foi a fonte de inspiração do discurso de Pentecostes de Pedro. Foi o Espírito Santo que manifestou a palavra de Deus que fez três mil ouvintes "compungirem-se no seu coração", que os preparou para se arrependerem e que os levou a serem batizados em nome de Jesus Cristo, para depois receberem o dom do Espírito Santo. De certo modo, o Pentecostes é como que o primeiro serviço divino da Igreja de Cristo. À igreja cristã primitiva de Jerusalém atribuem-se quatro elementos fundamentais do serviço divino neotestamentário: Os primeiros cristãos «perseveravam na doutrina dos apóstolos, e na comunhão, e no partir do pão, e nas orações» (Act 2,42).

12.1.4 Desenvolvimento do serviço divino cristão Voltar ao topo

Com o passar dos séculos, o serviço divino cristão foi sendo celebrado de diversas formas. Enquanto originalmente a liturgia estava em primeiro plano, mais tarde, devido à Reforma no seio do movimento protestante, desenvolveu-se o serviço divino com prédica. O serviço divino na Igreja Católica Apostólica também era caracterizado por uma liturgia marcante. Atualmente, o recurso do serviço divino novo-apostólico segue a tradição dos serviços divinos pós-reforma.

12.1.5 O serviço divino enquanto encontro com Deus Voltar ao topo

Ainda hoje, os quatro elementos de um serviço divino, existentes na igreja primitiva, figuram entre as características mais relevantes num momento em que a comunidade vivencia o mistério sempre renovado de um encontro entre Deus e o Homem.

A fórmula trinitária «Em nome de Deus, o Pai, o Filho e o Espírito Santo» é a invocação de Deus e representa uma forma de assegurar a Sua presença. É assim que se início a cada encontro com o Deus Trino no serviço divino, e é com a bênção trinitária que cada serviço divino termina. Este procedimento mostra ao visitante do serviço divino que Deus está presente.

Enquanto, no céu, Deus é louvado pelos exércitos celestiais (Is 6,3; Ap 4,8-11), na terra, a comunidade reunida no serviço divino louva o Deus Trino, a Sua graça e a Sua misericórdia.

O serviço divino destina-se a fortalecer a esperança na revinda iminente de Cristo e a preparar os crentes para a vinda do Senhor. É por isso que o serviço divino lhes é sagrado. Quem faltar levianamente aos serviços divinos põe em risco a perseverança na doutrina dos apóstolos, a comunhão, o partir do pão e a oração, da forma como os primeiros cristãos o praticavam.

No crente que deixar de frequentar o serviço divino com alguma regularidade, sem motivo importante, poderá diminuir o desejo de recebimento do sacramento e da palavra atuada pelo espírito. Além disso, não recebe as forças produzidas pela Santa Ceia, os pecados não lhe são perdoados e ele perde a bênção inerente ao serviço divino.

Quem privar Deus da adoração que Lhe é devida, rejeitando conscientemente o serviço divino e a graça que lhe são oferecidos, ou os menosprezar, está a acumular pecados, independentemente de participar ou não no serviço divino.

12.1.5.1 Doutrina dos apóstolos Voltar ao topo

Jesus, que em Hebreus 3,1 é designado de "apóstolo da nossa confissão", disse: «A minha doutrina não é minha, mas daquele que me enviou» (Jo 7,16). Ele, o Enviado do Seu Pai, envia, por Sua vez, os apóstolos e -lhes uma missão: «ensinando-as a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado» (Mt 28,20).

Os apóstolos são «chamados» e «separados» como servos de Cristo, para proclamar o Evangelho e edificar a obediência da (Rm 1,1.5). Os ministros que operam a seu mandado também proclamam a doutrina de Jesus Cristo nas comunidades.

A palavra da prédica, despertada pelo Espírito Santo, destina-se a fortificar a , aumentar o conhecimento, transmitir consolação, advertir para agir em conformidade com o Evangelho e manter viva a expectativa da revinda iminente de Cristo. E é assim que os crentes presenciam o cumprimento da promessa de Jesus: «Mas, quando vier aquele Espírito de verdade, ele vos guiará em toda a verdade; porque não falará de si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido, e vos anunciará o que -de vir. Ele me glorificará; porque -de receber do que é meu, e vo-lo -de anunciar» (Jo 16,13.14). Assim sendo, a prédica sob o efeito do Espírito Santo é caracterizada pelo facto de Cristo ser glorificado enquanto Salvador e Redentor.

12.1.5.2 Partir do pão Voltar ao topo

Na celebração da Santa Ceia (vide 8.2), a comunidade comemora o acontecimento mais importante dentro do serviço divino. Depois de terem recebido antes a remissão dos pecados, os crentes aproximam-se do altar e recebem o corpo e sangue de Jesus sob a forma de uma hóstia consagrada de pão e vinho. E celebram a Santa Ceia como forma de agradecimento e celebração memorial pelo sacrifício de Cristo (Lc 22,19). É uma ceia de profissão, é uma ceia comunitária, na qual estão incluídos os falecidos, tanto aqueles que morreram em Cristo, como aqueles a quem a graça de Deus deu acesso ao altar. Fortalece a esperança na revinda do Filho de Deus (1Cor 11,26).

A participação digna na Santa Ceia preserva ao Homem a vida que lhe foi oferecida através da regeneração. E -lhe também a segurança de se manter em Jesus e de preservar uma comunhão de vida íntima com Ele (Jo 6,51-58). As forças recebidas por esta via ajudam a dominar aquilo que poderia ser prejudicial para a salvação da alma e permitem crescer dentro da natureza de Jesus. Desta forma, cada serviço divino é uma oportunidade para fortalecer a comunhão de vida com Jesus Cristo.

12.1.5.3 Comunhão Voltar ao topo

No serviço divino, o crente pode presenciar a renovada realização da promessa de Jesus: «Porque, onde estiverem dois ou três reunidos, em meu nome, estou eu no meio deles» (Mt 18,20). Assim sendo, o serviço divino é a comunhão com Jesus Cristo. Na Sua palavra, Ele está no meio da comunidade e, no Seu corpo e no Seu sangue, está presente em realidade. Além disso, o serviço divino é uma forma de comunhão entre os crentes que se unem em adoração e glorificação a Deus. Quando no serviço divino, para além da Santa Ceia, também são ministrados o sacramento do Santo Batismo com Água ou do Santo Selamento, aqueles que pertencem à comunidade são como testemunhas que partilham a vivência com aqueles que recebem o sacramento. Além disso, cada um dos presentes também pode usufruir da bênção ministrada. Quem tiver sido batizado e selado é exortado a reviver o momento da receção dos sacramentos. Isso mostra claramente que todos os regenerados estão dentro de uma comunhão sacramental global.

12.1.5.4 Oração Voltar ao topo

O serviço divino é indissociável da oração. Logo antes do serviço divino, o crente procura a proximidade de Deus através da oração pessoal. Durante o serviço divino, a comunidade une-se nas orações às palavras de quem oficia o serviço divino. As orações expressam adoração, gratidão, intercessão e preces. Um significado especial cabe à oração do "Pai-Nosso" que todos oram juntos. É orada na redação do texto bíblico em Mateus 6,9-13 e antecede a celebração da Santa Ceia. Depois de o crente ter recebido o corpo e sangue de Jesus, ele agradece a Cristo pelo Seu sacrifício e pela graça concedida através de uma oração silenciosa. No final do serviço divino, o oficiante faz uma oração.

SÍNTESE Voltar ao topo

Com Jesus Cristo inicia-se uma nova dimensão do serviço de Deus nos homens. Na palavra e nos atos de Jesus está fundamentado aquilo que caracteriza o serviço divino cristão: a palavra e o sacramento. (12.1.3)

Comprovadamente, existem quatro elementos fundamentais do serviço divino neotestamentário: a doutrina dos apóstolos, a comunhão, o partir do pão, a oração. (12.1.3)

Com o passar dos séculos, o serviço divino cristão foi sendo celebrado de diversas formas. Atualmente, o recurso do serviço divino novo-apostólico segue a tradição dos serviços divinos pós-reforma. (12.1.4)

A fórmula trinitária é a invocação de Deus e representa uma forma de assegurar a Sua presença. É com ela que se início a cada encontro com o Deus Trino no serviço divino, e é com ela que cada serviço divino termina. (12.1.5)

O serviço divino destina-se a fortalecer a esperança na revinda iminente de Cristo e a preparar os crentes para a vinda do Senhor. (12.1.5)

Os apóstolos são nomeados para anunciar o Evangelho; os ministros por eles incumbidos fazem o mesmo. (12.1.5.1)

A celebração da Santa Ceia é para a comunidade o acontecimento central no serviço divino. (12.1.5.2)

O serviço divino é comunhão com Jesus Cristo por palavra e sacramento. O serviço divino também é uma forma de comunhão entre os crentes que se unem em adoração e glorificação a Deus. (12.1.5.3)

O serviço divino é indissociável da oração. É uma forma de expressar adoração, gratidão, intercessão e preces. (12.1.5.4)

12.1.6 Proclamação da palavra Voltar ao topo

Nos serviços divinos é proclamada a vontade de Deus para o presente. Esta proclamação da palavra é designada de "prédica".

A indispensabilidade da palavra de Deus para a vida da nova criatura fica bem clara nas palavras de Jesus: «Nem de pão viverá o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus» (Mt 4,4). O apóstolo Paulo expressa que sem ouvir a pregação da palavra não em Jesus Cristo (Rm 10,17). Na de Pedro 1,24.25, a efemeridade do Homem é confrontada com a incorruptibilidade da palavra de Deus, que é eterna: «a palavra do Senhor permanece para sempre; e esta é a palavra que entre vós foi evangelizada

12.1.6.1 Termo "Prédica" Voltar ao topo

O termo "prédica" tem a sua origem no latim, "praedicare", que significa: "anunciar algo publicamente, proclamar algo". No serviço divino, a prédica é um discurso espiritual dirigido à comunidade proferido por um ministro, que é despertado e caracterizado pela força do Espírito Santo. A prédica é baseada num texto bíblico.

12.1.6.2 Proclamação da palavra no Novo Testamento Voltar ao topo

Se na época do Antigo Testamento pessoas crentes proclamavam a vontade de Deus com base no poder do Espírito Santo, o nascimento do Filho de Deus veio abrir uma nova dimensão à palavra de Deus. Com Jesus Cristo, a palavra de Deus chegou ao Homem em toda a sua plenitude.

Jesus ensinava no templo em Jerusalém, em sinagogas e noutros locais. Partes significativas das Suas prédicas ficaram documentadas nos Evangelhos, os quais contêm fundamentos da doutrina cristã. Nas Suas pregações, Jesus usava parábolas e interpretava o Antigo Testamento. E também dava muitas indicações referentes ao futuro. Por exemplo, falou do Seu tempo de sofrimento, da Sua ressurreição e ascensão, e prometeu, ainda, a Sua revinda. A excelência da pregação de Jesus evidencia-se no sermão da montanha, com beatitudes e afirmações nunca antes proferidas. A reação dos ouvintes mostra o efeito que as Suas palavras provocavam: «[...] a multidão se admirou da sua doutrina; porquanto os ensinava como tendo autoridade; e não como os escribas» (Mt 7,28.29).

Tendo o Filho de Deus incumbido os apóstolos de pregar, enquanto esteve na terra (Mt 10,7), depois da Sua ressurreição deu-lhes a missão de ir a todas as nações e pregar o Evangelho (Mc 16,15).

A primeira pregação cristã foi a do apóstolo Pedro, no dia de Pentecostes (Act 2,14ss). Outros exemplos de pregações dos primeiros apóstolos encontram-se referidos em Actos 3,12-26; 17,22-31. Também se podem considerar pregações algumas das epístolas apostolares, que eram lidas nas comunidades. Os seus conteúdos eram adaptados às comunidades ou às situações que nela se verificavam. Eram exortações à penitência, à aceitação da graça de Deus e dos sacramentos, sendo o seu caráter sempre orientador e avisador. Proclamam a vontade salvífica de Deus, que quer oferecer aos homens a vida eterna na Sua glória.

12.1.6.3 A proclamação da palavra na atualidade Voltar ao topo

No serviço divino novo-apostólico, grande parte do tempo é dedicado à proclamação da palavra de Deus. Os apóstolos e os ministros por eles mandatados são incumbidos de proclamar a palavra de Deus nas comunidades. Foram abençoados e investidos do poder para o fazerem através do ato da sua ordenação.

A palavra de Deus é-nos transmitida através da Escritura Sagrada. E a prédica deve orientar-se por ela. Assim sendo, a base da prédica é um texto bíblico predefinido, que é disponibilizado aos ministros pelo apóstolo maior para se prepararem para os serviços divinos, acompanhado de algumas indicações para a interpretação do seu significado.

A interpretação do texto bíblico num discurso livre forma o núcleo da prédica e é despertada pelo Espírito Santo. A comunidade presencia esta atuação nas palavras daquele que dirige o serviço divino e também nas dos ministros chamados para contribuir também com uma curta prédica complementar ("co-oficiantes"). A proclamação da palavra de Deus através de vários ministros, com caracteres distintos e as respetivas faculdades pessoais, contribuem para iluminar, sob vários prismas, os aspetos contidos na prédica, sendo uma forma de aprofundar a compreensão da vontade de Deus.

12.1.6.3.1 Conteúdo principal da proclamação da palavra Voltar ao topo

No fulcro da proclamação da palavra está o Evangelho de Jesus Cristo, a boa nova. Fala da vida e do sacrifício de Jesus, da Sua ressurreição e da Sua revinda, bem como da consumação do plano salvífico.

Mas também a glorificação de Deus, o louvor dos Seus atos em todos os tempos faz parte do conteúdo da prédica. Além disso, oferece orientação para uma vida em conformidade com a vontade de Deus. Também serve de orientação o relato de vivências de e de experiências na .

Outros elementos da prédica são a glorificação da graça e do ato reconciliador de Jesus Cristo. Além disso, apela-se também à predisposição para a reconciliação por parte dos crentes. Tudo isso conduz o crente até à receção dos sacramentos.

12.1.6.3.2 Objetivo da proclamação da palavra Voltar ao topo

A prédica de Jesus Cristo exorta os ouvintes a serem obedientes na (Rm 16,25.26). O objetivo primordial da prédica consiste em despertar e manter a que Jesus espera encontrar aquando da Sua revinda. A proclamação apostólica da palavra é sempre movida pela intenção de preparar a comunidade para a vinda de Jesus Cristo (2Cor 11,2).

A na iminente revinda do Senhor tem repercussões sobre o comportamento dos crentes na vida quotidiana. Segundo Gálatas 5,22.23, a atuação do Espírito Santo deve dar "frutos" de amor, alegria, paz, paciência, amabilidade, bondade, fidelidade, mansidão e castidade.

A palavra proclamada transmite consolação e esperança, fomenta o reconhecimento e fortalece a confiança em Deus.

Para quem a ouve, a palavra de Deus é como um espelho no qual a pessoa se pode reconhecer e obter conhecimento daquilo que é preciso para crescer até adotar a natureza de Cristo (Tg 1,22-24). Isso implica aceitar com a reconciliação com Deus, alcançada através de Cristo, e, por conseguinte, assumir uma postura conciliadora com todas as pessoas.

12.1.6.3.3 Níveis da proclamação da palavra Voltar ao topo

A palavra de Deus é perfeita, pura e verdadeiramas ela é proclamada por pessoas imperfeitas. Por isso, a prédica pode muito bem conter falhas. Mas Deus, que ouve as preces de quem está a pregar e dos ouvintes, coloca poder e força nas palavras humanas e imperfeitas pronunciadas na prédica. Ou seja, existem dois níveis. Um é humano: um Homem fala e outros ouvem. Neste nível, não é possível excluir erros linguísticos ou temáticos do orador, nem tão pouco erros de perceção por parte dos ouvintes. O outro nível é divino: o Espírito Santo fala através do servo do Senhor enviado ao coração do ouvinte e fortalece ou desperta nele a . Quer dizer, palavras e frases pronunciadas com imperfeição não impedem Deus de colocar nelas força divina.

O ouvinte da prédica também tem de cumprir alguns pré-requisitos, para que não tenha uma perceção meramente humana daquilo que um Homem diz. O requisito mais importante é a : para que o ouvinte se abra com confiança de crente à palavra da prédica, a aceite e esteja disposto a incorporar na sua vida o que ouviu. Assim sendo, a palavra da prédica também produz reconhecimento no ouvinte. Os pecados cometidos são reconhecidos, o arrependimento e a penitência, bem como a ansiedade pela graça de Deus, são suscitados.

Por isso, antes da prédica, cada ouvinte deve orar para que o Senhor lhe força e paz através das palavras que vai escutar. O Senhor ouve as preces fervorosas de uma comunidade que verdadeiramente anseia receber a palavra de Deus.

Depois da prédica, é realizada a celebração da Santa Ceia após a preparação através da palavra de Deus.

SÍNTESE Voltar ao topo

Nos serviços divinos é anunciada a vontade de Deus. Esta proclamação da palavra é designada de "prédica". (12.1.6)

Jesus ensinava no templo em Jerusalém, em sinagogas e noutros locais. Um exemplo da proclamação da palavra de Jesus é o sermão da montanha. (12.1.6.2)

A primeira prédica cristã foi a do apóstolo Pedro, no Pentecostes. (12.1.6.2)

No serviço divino novo-apostólico, a proclamação da palavra tem grande significado. O fundamento é sempre um texto bíblico. A sua interpretação num discurso livre forma o núcleo da prédica e é despertada pelo Espírito Santo. (12.1.6.3)

No fulcro da proclamação da palavra encontra-se o Evangelho, que fala da vida e do sacrifício de Jesus, da Sua ressurreição e da Sua revinda. Além disso, oferece orientação para uma vida em conformidade com a vontade de Deus. (12.1.6.3.1)

A proclamação da palavra apostólica é sempre marcada pelo desejo de preparar a comunidade para a revinda de Jesus Cristo. (12.1.6.3.2)

A palavra proclamada fortalece a e a confiança em Deus, transmite consolação e esperança, fomenta o reconhecimento. (12.1.6.3.2)

A palavra de Deus é perfeita, pura e verdadeira. Mas ela é proclamada e ouvida por pessoas imperfeitas. Isso não impede Deus de colocar o Seu poder na prédica. (12.1.6.3.3)

12.1.7 O "Pai-Nosso" Voltar ao topo

A oração do "Pai-Nosso" é uma herança preciosa que Jesus deu àqueles que creem n'Ele. Através dela, o Filho de Deus deu um exemplo de como se deve orar ao Pai do céu.

Esta oração do Filho de Deus foi transmitida ao longo dos séculos em duas versões: uma, mais simples, contém cinco preces (Lc 11, 2-4) e a outra, mais completa, contém sete preces (Mt 6,9-13).

12.1.7.1 "Pai-Nosso" no serviço divino Voltar ao topo

Na liturgia do serviço divino, é usada a redação do texto no Evangelho segundo S. Mateus (Mt 6,9-13), na versão portuguesa de João Ferreira de Almeida, edição revista e corrigida de 1981, com o copyright de United Bible Societies (1968):

«Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o teu nome; venha o teu reino, seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu; o pão nosso de cada dia nos hoje; e perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores; e não nos induzas à tentação; mas livra-nos do mal; porque teu é o reino, e o poder, e a glória para sempre. Ámen

A oração do "Pai-Nosso" tem um lugar fixo dentro da liturgia. É a única oração que os crentes oram juntos e que tem uma redação predefinida.

Também é uma oração de penitência, que é proferida antes da remissão dos pecados e na qual o crente confessa perante Deus que pecou.

12.1.7.2 As sete preces Voltar ao topo

Depois da invocação de Deus, seguem-se três preces que se referem a Ele: o teu nome, o teu reino, a tua vontade. Depois, seguem-se quatro preces que também podem ser, ao mesmo tempo, preces de intercessão: o pão nosso de cada dia, as nossas dívidas, não nos induzas, livra-nos. A oração termina com a glorificação da majestade de Deus.

12.1.7.2.1 «Pai nosso, que estás nos céus» Voltar ao topo

A alocução «Pai nosso» caracteriza esta oração enquanto oração comunitária através da qual os que a oram confessam ser filhos de Deus. Nesta comunhão, Jesus Cristo é «o primogénito entre muitos irmãos» (Rm 8,29); quando Ele orava, dirigia-se a Deus enquanto Pai (Lc 22,